Atividade educativa • Museu de Neurociências

Explore como diferentes regiões do cérebro participam da percepção, do movimento, da linguagem e de outros processos presentes em nossa vida.

O Capacete do Cérebro é um recurso educativo desenvolvido para explorar algumas relações entre regiões do córtex cerebral e funções sensoriais, motoras e cognitivas. A atividade combina observação, interpretação, colorização e montagem de um modelo tridimensional de papel, aproximando conhecimentos das neurociências de experiências presentes no cotidiano.

Ao longo da atividade, símbolos relacionados à visão, audição, tato, movimento, linguagem, orientação espacial, raciocínio, criatividade, música e outros processos funcionam como pontos de partida para perguntas sobre aquilo que acontece quando percebemos o ambiente, movimentamos o corpo, conversamos, reconhecemos objetos, resolvemos problemas ou produzimos uma expressão artística.

O recurso pode ser utilizado em escolas, museus, feiras e eventos de ciência, ações de extensão universitária e outros contextos educativos. Sua abordagem pode ser ajustada à idade, aos conhecimentos prévios dos participantes e aos objetivos da atividade, permitindo desde uma primeira aproximação com a organização do sistema nervoso até discussões sobre especialização funcional, redes cerebrais, lateralização e modelos científicos.

Assista à atividade

O vídeo Capacete do Cérebro – Módulo Ludicidade, da série Descomplicando as Neurociências, apresenta o recurso e demonstra sua utilização. O audiovisual pode ser utilizado como preparação para a atividade, apoio à montagem ou material complementar para professores, mediadores e participantes.

Capacete do Cérebro, hemisfério direito
Capacete do Cérebro, hemisfério esquerdo

Um cérebro para observar, investigar e construir

Antes da montagem, vale a pena observar o capacete ainda aberto. As imagens distribuídas pelos dois hemisférios foram escolhidas para representar diferentes processos e funções, permitindo que a atividade comece pela formulação de perguntas.

Um olho pode remeter à visão; uma mão, ao movimento ou ao tato; uma nota musical, à percepção e produção musical; uma sequência numérica, ao raciocínio; uma lâmpada acompanhada da expressão “Eureka!”, à experiência do insight. Algumas relações serão percebidas imediatamente, enquanto outras poderão produzir dúvidas ou interpretações diferentes. É justamente aí que a atividade começa, procurando os símbolos, formulando hipóteses sobre aquilo que representam e relacionando-os às ações que realizamos todos os dias.

O Guia de Funções, Processos e Habilidades acompanha o material, oferecendo explicações breves para os conceitos representados no capacete. Ele pode ser consultado depois dessa primeira exploração, permitindo comparar as interpretações produzidas pelos participantes com as informações apresentadas pelo recurso.

Guia de funções, processos e habilidades do Capacete do Cérebro

Como compreender o modelo

O Capacete do Cérebro apresenta uma representação didática e esquemática da organização funcional do córtex cerebral. Os símbolos ajudam a visualizar que determinadas regiões apresentam especializações funcionais e possuem participação particularmente relevante em alguns tipos de processamento.

Essa representação precisa ser compreendida dentro dos limites de qualquer modelo. Funções complexas, como linguagem, atenção, memória, criatividade ou reconhecimento, resultam da atividade coordenada de diferentes regiões e sistemas cerebrais. Uma mesma região pode participar de diferentes processos, enquanto uma determinada atividade pode mobilizar diversas regiões simultaneamente. A neurociência contemporânea descreve essa organização cada vez mais em termos de redes funcionalmente integradas.

Imagine, por exemplo, uma pessoa lendo uma história em voz alta. A atividade envolve processamento visual, reconhecimento de palavras, linguagem, memória, atenção, planejamento e controle dos movimentos necessários à fala, processamento auditivo da própria voz e numerosos outros processos. Procurar essas relações no capacete ajuda a perceber por que atividades aparentemente simples dependem da interação entre diferentes sistemas cerebrais.

Para lembrar

Os símbolos indicam relações entre regiões e funções que ajudam a compreender a organização cerebral. Eles não devem ser interpretados como compartimentos independentes, uma vez que funções complexas resultam da interação entre diferentes sistemas e redes cerebrais.

Essa consideração é especialmente relevante ao abordar diferenças entre os hemisférios. Algumas funções apresentam lateralização relativa, embora isso não permita dividir pessoas em indivíduos de “cérebro esquerdo” ou “cérebro direito”, nem utilizar essa distinção para explicar personalidade, inteligência ou estilos de aprendizagem.

Como desenvolver a atividade

A atividade pode ser organizada em quatro movimentos, permitindo que a montagem seja acompanhada por observação, interpretação e discussão.

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Observe antes de explicar

Apresente os dois hemisférios antes de explicar o significado dos símbolos. Convide os participantes a examinar as imagens, identificar aquilo que reconhecem e formular hipóteses. Perguntas sobre o que determinado símbolo poderia representar ou sobre quais funções seriam necessárias para realizar uma atividade cotidiana ajudam a transformar o modelo em objeto de investigação.

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Consulte o guia

Depois da exploração inicial, apresente o Guia de Funções, Processos e Habilidades. A consulta permite verificar algumas hipóteses, descobrir significados menos evidentes e ampliar a discussão, utilizando o material como instrumento de investigação em vez de simples legenda.

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Explore as cores

A colorização pode ser realizada livremente, preservando a dimensão artística e expressiva da atividade, ou seguir critérios construídos pelos próprios participantes. Quando houver um critério, convém perguntar por que determinadas cores foram escolhidas, valorizando a explicação e a argumentação que acompanham a produção.

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Monte o capacete

Recorte os dois hemisférios seguindo seus contornos externos. Abra as linhas tracejadas que partem das bordas e sobreponha as partes indicadas, fixando-as pela face interna. Cada hemisfério adquirirá progressivamente uma forma curva. Finalmente, una as duas metades pela região superior, observando as indicações de frente, trás, lado direito e lado esquerdo presentes nos próprios moldes.

Papel de maior gramatura tende a proporcionar melhor sustentação ao capacete. Tesoura, fita adesiva e materiais para colorização são suficientes para a realização da atividade, devendo o uso de instrumentos de corte ser adaptado à idade e às condições de segurança do grupo.

O capacete ficou pronto. E agora?

A montagem constitui uma etapa da experiência. Com o modelo tridimensional diante dos participantes, torna-se possível retornar às hipóteses produzidas no início e observar o conjunto de outra perspectiva.

Uma estratégia consiste em escolher atividades conhecidas e investigar quantas funções seriam necessárias para realizá-las. Ler uma história, tocar um instrumento, jogar futebol, desenhar, conversar com alguém ou preparar uma refeição oferecem situações nas quais percepção, movimento, memória, atenção, linguagem, planejamento e diferentes formas de integração sensorial podem atuar conjuntamente.

  1. Quantas funções representadas no capacete participariam de uma atividade como ler, desenhar ou jogar bola?
  2. Uma mesma atividade parece depender de uma única região cerebral?
  3. Por que diferentes partes do corpo aparecem representadas de maneira desigual nos chamados homúnculos sensorial e motor?
  4. O que significa dizer que algumas funções apresentam lateralização?
  5. Que aspectos do funcionamento cerebral o capacete consegue representar?
  6. Que aspectos foram simplificados ou ficaram fora do modelo?
  7. Se fosse possível redesenhar o Capacete do Cérebro para representar melhor as redes cerebrais, o que poderia ser acrescentado?

Com estudantes mais jovens, a conversa pode permanecer próxima dos sentidos, do corpo e do movimento. Com estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio, as mesmas perguntas permitem introduzir especialização funcional, integração sensório-motora, lateralização, plasticidade, redes cerebrais e os próprios limites das representações utilizadas pela ciência.

O modelo também ensina sobre ciência

Representar um cérebro em uma folha de papel envolve necessariamente selecionar algumas informações e deixar inúmeras outras de fora. O cérebro humano apresenta uma organização estrutural e funcional cuja complexidade não poderia ser reproduzida integralmente em um modelo destinado a uma atividade educativa.

Essa característica oferece uma oportunidade para discutir como os modelos científicos funcionam. Um modelo procura tornar determinados aspectos de um fenômeno observáveis, comparáveis ou compreensíveis, operando por meio de escolhas e simplificações. Sua utilidade depende, portanto, da pergunta que estamos fazendo e daquilo que desejamos compreender.

No Capacete do Cérebro, a distribuição espacial das imagens favorece a percepção das especializações funcionais. As atividades propostas durante a mediação permitem recuperar aquilo que o mapa tende a tornar menos visível: a comunicação entre regiões e a organização do cérebro em sistemas e redes.

Para professores e mediadores

O Manual de Aplicação do Capacete do Cérebro em Contextos Educativos foi preparado para professores, mediadores e outros profissionais interessados em desenvolver a atividade em escolas, museus, ações de divulgação científica e outros espaços de aprendizagem.

O material apresenta fundamentos da proposta, roteiro de preparação e mediação, possibilidades de utilização em diferentes etapas da Educação Básica, perguntas mobilizadoras, cuidados conceituais, orientações de acessibilidade, possibilidades de avaliação e sugestões para ampliar a atividade.

O manual foi concebido para poder ser utilizado também por profissionais que não possuam formação específica em neurociências, oferecendo elementos conceituais e pedagógicos para compreender o recurso e organizar sua aplicação.

Materiais para baixar

Os arquivos necessários para realizar a atividade podem ser baixados gratuitamente. Para impressão e montagem, recomendamos as versões em PDF. Os arquivos em JPEG podem ser utilizados para consulta, projeção e preparação de outros materiais educativos.

Lado direito

Arquivo do hemisfério direito do Capacete do Cérebro.

Lado esquerdo

Arquivo do hemisfério esquerdo do Capacete do Cérebro.

Guia de Funções, Processos e Habilidades

Material de consulta para compreender os símbolos e conceitos representados no capacete.

Manual de Aplicação

Orientações para planejamento, mediação, aprofundamento conceitual, avaliação e adaptação da atividade em contextos educativos.

Uma atividade, diferentes possibilidades

O Capacete do Cérebro pode funcionar como atividade independente ou integrar sequências educativas mais extensas. A partir dele, podem ser investigadas relações entre sistema nervoso e movimento, percepção sensorial, linguagem, representação do corpo, história das descobertas sobre localização cerebral, neuroplasticidade e técnicas utilizadas para estudar a atividade cerebral.

A atividade também permite articulações com Arte, Linguagens, Educação Física e Matemática, considerando que seus próprios símbolos envolvem expressão artística, música, prosódia, movimento, espacialidade, geometria e resolução de problemas. Em contextos escolares, o professor pode selecionar os elementos mais pertinentes à etapa de ensino e ao planejamento realizado.

A proposta utiliza um objeto simples, manipulável e visualmente acessível para produzir perguntas sobre um sistema cuja organização é complexa, estimulando a curiosidade científica e favorecendo interpretações progressivamente mais elaboradas das relações entre cérebro, corpo e comportamento.

Ficha técnica

Capacete do Cérebro
Museu de Neurociências, de Ciências e Cognição
NuDCEN – Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências, de Universidade Federal do Rio de Janeiro

Concepção e desenvolvimento da atividade: Prof. Dr. Alfred Sholl-Franco.

Referências e leituras para aprofundamento

HOWARD-JONES, Paul A. Neuroscience and education: myths and messages. Nature Reviews Neuroscience, London, v. 15, n. 12, p. 817–824, 2014. DOI: 10.1038/nrn3817.

NIELSEN, Jared A. et al. An evaluation of the left-brain vs. right-brain hypothesis with resting state functional connectivity magnetic resonance imaging. PLOS ONE, San Francisco, v. 8, n. 8, e71275, 2013. DOI: 10.1371/journal.pone.0071275.

PESSOA, Luiz. Understanding brain networks and brain organization. Physics of Life Reviews, Amsterdam, v. 11, n. 3, p. 400–435, 2014. DOI: 10.1016/j.plrev.2014.03.005.

TREMBLAY, Pascale; DICK, Anthony Steven. Broca and Wernicke are dead, or moving past the classic model of language neurobiology. Brain and Language, Amsterdam, v. 162, p. 60–71, 2016.

Museu de Neurociências

Para informações sobre o Capacete do Cérebro, atividades educativas e demais recursos do Museu de Neurociências, entre em contato pelos canais institucionais.

E-mail: museudeneuro@biof.ufrj.br / museudeneurociencias@gmail.com

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