A eletroestimulação é uma atividade prática baseada em uma prática terapêutica e deve ser realizada com cautela e apenas por profissionais capacitados, para evitar possíveis danos à saúde. Dessa forma, quem for realizar essa prática deve ter experiência com o uso de estimuladores elétricos ou consultar alguém habilitado antes.

Vale esclarecer que o aparelho de eletroestimulação utilizado para a eletroestimulação é considerado seguro e sua utilização (não invasiva) não apresenta efeitos iatrogênicos significativos. Deve-se citar que o perigo da corrente elétrica está em sua potência. Um estimulador elétrico que opere com pilha apresenta potencia máxima de 2 Watts e uma corrente de no máximo 80 mA.

Deve-se deixar claro que algumas reações adversas podem ocorrer durante o seu uso, como irritação da pele (os eletrodos tem um adesivo para serem fixados na pele), sensação de formigamento e alterações raras na pressão arterial e frequência cardíaca.

Recomendações:

  • Ao fazer a seleção de um voluntário, a partir de uma entrevista rápida, deve-se perguntar se a pessoa possui algum transtorno de ansiedade, problemas cardíacos ou problemas dermatológicos, além de músculo-articulares. Caso afirmativo, outro voluntário deve ser selecionado.
  • Sempre acompanhar as reações, impressões e retorno do voluntário para que o experimento seja interrompido caso haja alguma reação adversa ou incômodo.
  • Alterar frequência, tensão, duração dos pulsos e músculos, alvo da experiência. Pedir ao voluntário que fale suas impressões durante todo o processo.
  • Caso o retorno de que a experiência esteja desconfortável deve-se parar imediatamente a estimulação e interromper a oficina.

Objetivo Didático:

  • Ajudar no ensino sobre excitabilidade celular e sua repercussão sobre o corpo humano de forma dinâmica e interativa.
  • Explicar como a eletricidade pode fazer nossos músculos se contraírem sem que a gente queira, usando um aparelho que emite estímulos elétricos nos músculos (estimulação direta), com efeito de contração muscular e alteração da posição do corpo ou de partes dele.
  • Auxiliar na compreensão do fenômeno de contração muscular e dos processos de somação e modulação da força muscular.
  • Ajudar a explicar como os sinais elétricos no nosso corpo podem ser excitatórios ou inibitórios, e como eles podem se somar para controlar as nossas funções corporais.
  • Explicar como os sinais elétricos emitidos pelos eletrodos podem afetar a rede de células excitáveis (neurônios, músculos e glândulas) no nosso corpo.
  • Apresentar aplicações terapêuticas da eletroestimulação (por exemplo: casos de neuropatia periférica e reabilitação muscular). Aplicação em tratamentos médicos e fisioterápicos para tratar lesões musculares, dores crônicas e outras condições.

Materiais utilizados:

  • Álcool para limpeza da pele.
  • Lenço de papel ou toalha de papel descartáveis.
  • Eletroestimulador (Bioestimulador), conhecido como aparelho de Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation – TENS), cuja tensão varia de 0 até 100 volts. Este é um modelo alimentado por pilha e, portanto, com uma potência elétrica variando entre 50 µs e 500 µs.
  • Pilhas apropriadas ao bioestimulador (conforme recomendação do fabricante).

Descrição da Atividade:

Essa prática pode ser realizada de modo demonstrativo apenas ou com a todos os participantes. Antes de qualquer procedimento ser realizado é importante saber se a pessoa que participará tem algum problema muscular, articular ou de condução elétrica periférica.

Passo 1: Preparação do Participante

  • Certifique-se de que o participante não possui nenhum problema muscular, articular ou de condução elétrica periférica que possa ser agravado pela estimulação elétrica. Caso haja dúvidas, o voluntário não deve participar da atividade.
  • O local onde os terminais do estimulador serão aderidos devem ser limpos com álcool para desengordurar a região da pele e secos, para permitir uma estimulação elétrica adequada. É importante seguir as recomendações do fabricante em relação ao uso do estimulador elétrico para garantir a segurança e eficácia da atividade.

Passo 2: Posicionamento dos Eletrodos e Verificação do Aparelho para Eletroestimulação

  • Deve-se verificar se o estimulador está desligado e com a indicação de menor nível de estímulo (menor ativação).
  • Alocar os eletrodos (positivo e negativo) do estimulador na região mais central do músculo a ser estimulado ou em sua
  • (inicialmente o bíceps – músculo do braço, responsável pelo volume muscular quando fazemos o “muque”).
  • Certifique-se de que os eletrodos estejam firmemente fixados na pele.

Passo 3: Estimulação

  • O estimulador deverá ser ligado, em seu menor nível de intensidade, para iniciar a produção de uma corrente elétrica, a qual irá se propagar e estimular os tecidos excitáveis localizados a baixo de sua localização (principalmente o tecido muscular), ativando os grupamentos musculares que produzirão uma resposta elétrica (potenciais locais e de ação, conforme a intensidade da estimulação).
  • Os participantes devem observar o braço enquanto se aumenta a intensidade da estimulação, até que se observe uma contração visível.
  • Diminuir a intensidade novamente e alterar a frequência de estimulação no aparelho.
  • Observar as respostas musculares, conforme se aumenta ou se diminui a intensidade da estimulação com essa nova frequência de estímulos.

Passo 4: Discussão e Exploração de Conceitos

  • Promova uma discussão com os participantes sobre as respostas musculares observadas.
  • Aborde conceitos como potenciais evocados, ativação elétrica no sistema neuro-muscular, acoplamento excitação-contração, modulação de força, entre outros, relacionando-os com as observações feitas durante a atividade.
  • Pode-se, ainda, serem alocados diferentes eletrodos em uma mesma região ou em várias, de modo sequencial, produzindo contrações mais vigorosas (fortes) ou complementares.

Habilidades e Propriedades Funcionais Relacionadas:

 

 

 

 

Tópicos possíveis de serem questionados a partir dessa atividade:

  1. Excitabilidade celular: Capacidade das células musculares de responder a estímulos elétricos, assim como outros tecidos excitáveis (neurônios e células glandulares).
  2. Potenciais de ação: A Estimulação Muscular Elétrica utiliza corrente elétrica para estimular as células neuronais dos grupamentos musculares, o que leva à produção de potenciais de ação. Esses potenciais são responsáveis pela contração muscular.
  3. Potencial evocado: O potencial evocado é uma resposta elétrica gerada por um estímulo externo. Na Estimulação Muscular Elétrica, os eletrodos geram um estímulo elétrico que evoca a resposta muscular.
  4. Contração muscular: Processo pelo qual as fibras musculares se encurtam e desenvolvem tensão, resultando no movimento muscular.
  5. Força muscular e estimulação muscular: Combinação de estímulos elétricos para produzir uma resposta muscular mais forte.
  6. Modulação da força muscular: Variação da intensidade e frequência da estimulação elétrica para influenciar a força da contração muscular.

Além disso, algumas questões podem ser levantadas:

  • Como a Estimulação Elétrica pode ser aplicada em pessoas com diferentes condições de saúde e níveis de aptidão física?
    • A Estimulação Elétrica pode ser adaptada para diferentes condições de saúde e níveis de aptidão física, desde que sejam levados em consideração alguns fatores, como a intensidade da corrente elétrica, a frequência do estímulo, a duração do treino e a posição dos eletrodos.
  • Como a Estimulação Elétrica pode ser usada para melhorar a reabilitação muscular após lesões ou cirurgias?
    • A Estimulação Elétrica pode ser usada para melhorar a reabilitação muscular após lesões ou cirurgias por meio da estimulação elétrica dos músculos, o que pode ajudar a manter a força muscular durante o período de recuperação e acelerar a recuperação muscular após o período de imobilização. Ela também pode ser usada para prevenir a atrofia muscular durante a reabilitação, aumentando a atividade nos músculos afetados.
  • Qual é a eficácia da Estimulação Elétrica em relação à melhoria da força muscular, e em que situações ela pode ser mais vantajosa do que outros métodos de treinamento?
    • A eficácia da Estimulação Elétrica na melhoria da força muscular tem sido amplamente estudada e comprovada, principalmente em indivíduos sedentários ou com baixa aptidão física. Ela pode ser vantajosa em situações em que o treinamento convencional é difícil ou impossível, como durante a reabilitação após lesões ou cirurgias, ou em pessoas com limitações físicas. Além disso, pode ser utilizada como um complemento ao treinamento convencional para aumentar a intensidade do exercício e a variedade de estímulos.

Recursos Didáticos para Baixar:

 

Imagens:

 

Referências:

WATSON, Tim; NUSSBAUM, Ethne L. Electrotherapy: Evidence-Based Practice, Elsevier Health Sciences, 2019.
GOLDSMITH, Joel B. Therapeutic Electrical Stimulation: Theory, Principles, and Practice, Mosby, 2019.
ROBERTSON, Val; WARD, Alex. Electrotherapy Explained: Principles and Practice, Elsevier Health Sciences, 2006.
NELSON, Roger M.; SHIVELY, Raymond J. Clinical Electrotherapy, Appleton & Lange, 1991.